Carta de (quase) despedida

09/06/2014

Bom, não quero que esse texto soe de maneira ruim ou que a menos signifique um aborto no que diz respeito à minha opinião franca e ácida que sempre postei. Hoje, depois de anos, resolvi encerrar as atividades deste blog. Foram quase quatro anos no qual escrevi textos esporádicos sempre com uma opinião sincera e as vezes até polêmica. Tinha que gostasse, tinha quem não dava a mínima, tinha quem odiasse. É a vida. Nem Jesus Cristo agradou a todos, eu na minha humilde blogosfera também não seria.

Vamos expor algumas razões:

Existe uma grande diferença entre o Alex que fundou esse blog em 2010 e o Alex de hoje. Na época, eu não cursava faculdade, trabalhava seis dias na semana, tinha mais tempo livre, apesar que boa parte dele era gasto com algo que não era nem um pouco relevante para a minha vida. Posteriormente em 2011, comecei a faculdade de Publicidade e Propaganda, cursei três semestres, desisti, comecei jornalismo, mudei de faculdade, comecei a graduação de novo. Porra, aconteceu muita coisa e com isso uma coisa fundamental se reduziu: o tempo. Hoje, tenho que trabalhar, fazer trabalhos de faculdade sozinho (por que prefiro fazer sozinho do que pedir ajuda pra filho da puta que só sabe escorar), dar atenção para a minha familia (sim, me casei =)) e ainda por cima, estar antenado em asssuntos diversificados para lotar este blog. Não precisa nem dizer que 24 horas por dia são poucos para tamanhas responsabilidades. Então com o tempo, isso foi atingindo diretamente o blog; os posts que eram de rotina ficaram mais raros e quem acompanha uma publicação com frequência fica chateado.

Outra coisa que também mudou foi a minha postura: neste blog eu sempre falei do meu jeito, toquei o foda-se e justo aqui está o maior exemplo, a quantidade de palavrões que eu sempre falei. Agora, estudando jornalismo, a gente não pode ser tão coloquial no uso das palavras, muito menos rude. O público que a gente espera atingir é maior e nem todas as pessoas gostam de uma linguagem desse estirpe. Então, eu comecei a ver a necessidade de escrever algo melhor, mais polido e com assuntos mais elaborados. E é claro, o melhor de tudo: isso melhora a minha postura, me torna menos chato, sem deixar de ser polêmico. Coisas melhores podem vir e todo mundo fica satisfeito.

Por fim, tudo isso faz parte de um processo no qual eu estou passando de renovação interior. Um processo pessoal que vai refletir no intelectual. Melhores textos vão vir, melhor conteúdo e escritos pelo mesmo Alex de sempre. Em breve estarei montando um novo blog. E melhor do que nunca. Agradeço aos milhares de leitores que tive que vários países e dizer que logo logo estarei de volta em um formato melhor. E eu espero que seja mais rápido possível.

Até breve.

 

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Cada um colhe o que merece

30/09/2013

Chega, acabou a paciência. Vocês que me conhecem sabem o quanto eu sou estudioso de automobilismo e o quanto me preocupo com tudo que envolve o assunto: carros, autódromos, segurança e os cambal. Mas tem uma hora que a coisa vai acumulando e a paciência não aguenta. Do que estou falando? Dos autódromos do país? Da segurança? Não! Dessa vez, o assunto é muito maior. Envolve tudo.

Vamos começar. Felipe Massa está fora da Ferrari. Não tem time para o ano que vem, não se sabe para aonde vai. Ele é o único piloto brazuca na categoria máxima do automobilismo e se ficarmos sem ele, será a primeira vez desde o Grande Premio da França de 1970 que ficaremos sem representante na F1. Felipe Nasr? Pode esquecer. O título da GP2 não será dele, apesar de existirem possibilidades matemáticas. E isso pesa demais para conseguir uma vaga. Provavelmente conseguiria, numa Marussia ou numa Caterham da vida, o que cá pra nós, é humilhante. Claro, que tem o jogo da Rede Globo que, com medo de perder os direitos sobre a categoria, o GP do Brasil, deve estar com o cu na mão para arrumar uma vaga para Massa em algum time de destaque, algo que não tá nada fácil. A Lotus não quer. A McLaren já renovou com Button e não tá comendo cocô pra dispensar a grana do Sérgio Perez. A Williams… (opa, é time grande, pula essa). Enfim, se formos cair um pouco o nível, a Sauber, o Massa não quer. E é justamente na equipe da Monisha que tem outra especulação: Barrichello correndo pela equipe em Interlagos esse ano e efetivo no ano que vem. No meu ver, é uma pataquada. Rubens está com 41 anos, está de boa na Stock Car, engordou e não vai ter uma performance boa nos monopostos. Sem contar o fator principal na Formula 1: dinheiro. Tem o russo lá que até agora eu não decorei o nome, tampouco como pronuncia, de 18 anos, sem superlicença, mas cheio do dinheiro. O Barrichello seria companheiro de equipe dele, mas isso implicaria na digressão de Esteban Gutierrez. O problema que o mexicano leva muito dinheiro pra equipe e fora que a presença de um mexicano a mais é fator relevante para a confirmação da corrida no Hermanos Rodriguez ano que vem. E o saldo disso tudo é que o Brasil corre risco de ficar sem piloto.

Isso acontecendo, aí uma coisa vai ser jogada no ventilador. A Formula 1 não tem mais a mesma audiência desde a morte do Ayrton Senna. Se tem um jogo do Penarol do Amazonas (nada contra os amazonenses, ok?) contra o Flamengo, domingo, 14h., e no mesmo dia, Grande Premio do Canadá, pode esquecer a corrida. O máximo que você vai ver, vai ser um mega compacto de 15 minutos ou menos depois do Domingo Maior. Brasileiro não gosta de corrida, afinal muitos afirmam que a F1 só teve graça na época do Senna, que o Barrichello é um péssimo piloto, que acabou com a carreira do Massa quando a mola do carro da Brawn soltou e atingiu o capacete do piloto. Tá certo que tudo isso aí é coisa de gente que não entende de Formula 1 e quando não assiste, é um favor que faz. O problema é que falta de audiência, é prejuizo. Quando a F3000 era transmitida no sábado na Globo em 2002, ninguém assistia, a criançada ficava puta da vida porque interrompiam a TV Globinho pra passar briga entre Giorgio Pantano e Tomas Enge e a emissora cortou isso. O mesmo foi com a MotoGP: sem Alex Barros, ninguém queria assistir e a transmissão foi para os canais fechados. A CART nem se fala: a categoria já andava mal das pernas e quando Sebastién Bourdais começou a ganhar igual um louco, a audiência caiu em tudo quanto foi canto do mundo.

O risco é justamente esse: ficar sem a F1 na Globo. Se isso acontecer, infelizmente não há nenhuma outra emissora pra assumir a pica. O SBT não quer: não se interessa em esporte, não tem narradores, e em 1998, Gugu Liberato odiava ter que interromper a corrida dele pra passar a CART. Você acha mesmo que a Eliana vai gostar de parar aquela porcaria do Ciência e Show para passar corrida em Austin? Nunca! A Record, tratou a extinta categoria americana citada acima igual lixo em 2001 e 2002 e portanto, carta fora do baralho. A Band, não tá dando conta nem da Indy, imagina de outra categoria. A Redetv, mesmo caso da Record. Enfim, a saída da F1 caso a Globo perca os direitos de transmissão seria, infelizmente os canais fechados, como Sportv, ESPN e Fox Sports. Isso teria um lado ruim, pois tem muita gente que gosta de corridas mas não tem condições geográficas e nem financeiras para bancar TV a cabo, ainda mais com canais esportivos, que é um absurdo nesse país. Mas também teria o lado bom: a corrida teria um lugar digno, com bons comentaristas, narradores e horário decente. Não dá pra aguentar Galvão Bueno que não entende porra nenhuma de corrida, corridas que são cortadas depois do pódio e sem entrevista coletiva, sem nenhuma interação dos jornalistas com o público e o pior, ninguém pode falar nome de nada, marca de nada, nem sequer o nome “Indy” (tem que falar “automobilismo norte-americano”). Pro inferno, meu! Seria excelente se todos tivessem acesso a uma transmissão de qualidade. Mas cada um colhe o que merece. Por que? Fica aí, porque agora que vai piorar.

Dentro do país, o automobilismo anda de mal a pior. Um esporte que não tem incentivo do governo, não tem um comando decente, uma administração de merda. A CBA está igual Cavalo de Sete de Setembro para o que acontece no esporte. Tivemos o caso da motociclista Wanessa Daya que morreu vítima de um acidente no circuito de Brasilia, o kartista que morreu lá no Pernambuco. Isso sem contar a notícia do possível fim do Autódromo de Curitiba e o cancelamento da São Paulo Indy 300. Isso tudo em 2013, uma merda atrás da outra. O que o Sr. Cleyton Pinteiro fez até agora? Nada! Nunca nem vi esse cara aparecer em algum meio da mídia para dar uma satisfação sobre a quantidade de absurdos que anda acontecendo. Aí quando penso que tudo está ruim, vem a notícia que a corrida de Brasília do Campeonato de Marcas e da F3 Sudam está sendo organizada por quem: José Argenta, dirigente que presidia a Federação Brasiliense de Automobilismo, que foi desfiliada da CBA e que foi acusado de desvio de dinheiro. A empresa responsável pela cronometragem do Autódromo Nelson Piquet, a Race Control saiu fora e o controle de prova ficou a cargo da Federação do Guará, que é comandada por Argenta. O resultado foi vergonhoso: os comissarios não sabiam de porra nenhuma e ao invés de prestarem atenção na corrida, ficaram o tempo todo mexendo no celular.

"Formula 3 Cross Country": só em Brasília mesmo!

“Formula 3 Cross Country”: só em Brasília mesmo!

Teve acidente, nada de bandeira amarela. E que acidente: o carro do piloto da F3 Rafael Rucci decolou na curva zero e parou alguns metros a frente totalmente danificado. Sim, a curva zero, aquela que foi reformada antes da corrida da Stock e que tava soltando a tampa do bueiro. Imagina se é uma moto que decola ali. O risco iminente de mais uma fatalidade não assusta a CBA, que permanece calada a respeito.

Por fim, temos a notícia de que querem trazer a MotoGP de volta para o Brasil, justo em Brasília. Quer saber o meu veredicto? Não tragam a categoria das motos pra cá. Esse final de semana assisti a corrida no circuito de Aragón Motorland, na Espanha. O autódromo foi inaugurado há três anos, mas é uma coisa linda de se ver. É um país que investe no esporte, tanto que foram três corridas: dos nove lugares no pódio, sete foram espanhois. Você acha mesmo que as coisas vão mudar até ano que vem? Não, não vão! O automobilismo no Brasil não é mais o mesmo, é um esporte que se encaminha para a falência múltipla, vítima do câncer da corrupção, dá má-administração, de gente que não entende no lugar errado. Não falo apenas do Pinteiro, do Argenta, mas sim de todo o poder público: Secretaria de Esportes, Ministério do Esporte, Governo Federal. Um país que, quando se fala de esporte só se preocupa com futebol não merece mesmo ter um brasileiro na F1, não merece uma corrida da MotoGP. Cada um colhe o que planta.

Argentina pronta para a MotoGP. Na contramão do nosso país.

Argentina pronta para a MotoGP. Na contramão do nosso país.


A Clockwork Movie

15/09/2013

O título é sugestivo: lembra o famoso filme do Stanley Kubrick. Mas na verdade, a analogia que eu fiz foi com o álbum da banda canadense Rush, A Clockwork Angels, lançado em 2012 (por sinal, um puta álbum, recomendo). Mas o Rush de hoje, é outro, mas igualmente genial: o filme Rush: No Limite da Emoção, que estreou no cinema nesta sexta feira (13). Para os fãs de Formula 1, é o filme mais esperado dos últimos anos, devido à imensa expectativa, a preparação que vinha sendo divulgada, os detalhes da produção. A cada trailler que era lançado, aumentava a tensão, uma sensação de “Chega logo, 13 de Setembro”. E ele chegou! Claro, tive aula, debate e não pude ver na estreia, mas no sábado, eu vi.

Por sinal, poucos cinemas do Distrito Federal, tem o filme em cartaz. E sem contar que os que tem não ocupa nem a metade da sala. É um filme pra poucos, pra quem conhece. Geralmente a sala de cinema tinham vários caras, provavelmente conhecedores de Formula 1, acompanhados de suas primeiras-damas, que mesmo não gostando de corridas, tiveram que acompanhar não só o filme, mas também os comentários dos espectadores. Faz parte. Vamos de vez às minhas impressões. Antes, leia o aviso abaixo.

A PARTIR DAQUI, DAREI ALGUNS PITACOS EM RELAÇÃO AO FILME QUE CONTÉM REVELAÇÕES SOBRE O SPOILER. SE VOCÊ NÃO ASSISTIU AINDA, RECOMENDO PARAR A LEITURA POR AQUI, PARA NÃO TIRAR A SUA EXPECTATIVA E RETORNAR APÓS TER APROVEITADO A PIPOCA DO CINEMA COM ESSA SUPERPRODUÇÃO.

O filme começa com momentos antes da largada do Grande Premio da Alemanha de 1976, da escolha de pneus entre Hunt, Mass e Lauda, porém imediatamente volta a uma parte que eu não conhecia: o surgimento da disputa entre ambos os protagonistas, ainda na Formula 3:  James Simon Wallis Hunt e Andreas-Nikolaus “Niki” Lauda. O primeiro, como todo mundo conhece, desde sempre já tinha fama de mulherengo e playboy dentro do circo e guiava um carro com as despesas pagas pelo lorde Alexander Hesketh. O outro estreante já era metódico, sério. Os dois se tocam na corrida de estreia do austríaco e Hunt vence. Em um lance polêmico, o austríaco questiona o posicionamento de pista do inglês e vira motivo de chacota entre Hunt e Hesketh. Daí começa uma enorme rixa entre ambos os pilotos até chegar na Formula 1. Impressionante a riqueza dos detalhes nessa parte, os carros, os paddocks, o circuito.

Em seguida, é mostrada a trajetória de ambos ao chegar na F1. Lauda, sem apoio da família, pede um empréstimo e compra uma vaga na BRM. Logo, ele se mostra um excelente acertador de carros, conseguindo corrigir diversos erros de projeto no carro da equipe. Paralelamente, Hesketh prepara um carro levando o seu nome e sem patrocinadores para Hunt. Neste momento, se percebe um primeiro erro do filme, porém este não chega a ser tão grave: nesta sequência, Alexander Hesketh diz que um carro de Formula 1 fica mais bonito sem patrocinadores vulgares como camisinhas e marcas de cigarro como era de costume. Todavia, apesar de a indústria tabagista estar presente, o preservativo como produto de anúncio na Formula 1 só entrou em 1976, na equipe Surtees. Ainda estamos em 1973. Lauda e Hunt se reencontram, agora na F1, com Hunt repreendendo Lauda pelo fato deste ter comprado a vaga na BRM. Na ocasião, chegamos a Watkins Glen, ainda em 73, com o acidente que matou François Cevert. A cena foi muito bem reproduzida, ficando quase igual ao acidente original, ficando só o porém do nome do piloto francês não ser citado. Nada demais, acho que não era necessário. Os dois rivais discutem a culpa do acidente, com Lauda dizendo que a culpa era de Cevert e Hunt novamente repreendendo o austríaco.

Posteriormente, é mostrado o casamento de James com Suzy Miller no início de 1974, seguido da notícia da contratação de Lauda pela Ferrari. A notícia cai como um chute nos bagos do inglês. Outra coisa que se destaca nestas tomadas é a incrível semelhança do cara que fez o papel do Enzo Ferrari (não consegui descobrir o nome do sujeito) com o “Comendador”. Lauda logo relata que a Ferrari é de horrivel dirigibilidade e exige mudanças. O jeito metódico de Lauda ao descobrir os defeitos do carro encanta o comendador, todavia faz com que o austríaco arrume desafetos com seu companheiro de time, Clay Regazzoni. E é justo aí que Lauda conhece Marlene, sua futura esposa, quando ambos ficam na estrada com o carro dela quebrado.

Muito pouco é mostrado da temporada de 1975, até porque não é de tanto foco. Hunt ainda está na Hesketh e Lauda acaba por levar o título daquele ano. É mostrada uma disputa entre ambos, que termina com o motor do fraco do britânico quebrado, e que culmina no título do austríaco. Todavia uma grande falha foi não ter mostrado uma disputa no Grande Premio dos Países Baixos, em Zandvoort, a primeira vitória de James Hunt na F1 e a única da equipe Hesketh. Ambos disputaram até a última volta essa corrida e essa poderia ter sido destacada. Realmente uma pena.

Chegamos a 1976. Alexander Hesketh anuncia que errou os cálculos e que a equipe chegou ao fim. Hunt se vê sem time, com seu rival campeão do mundo, tudo que ele não queria ver. Ainda nisso, culmina o fim do casamento com Suzy Miller. Peter Hunt, seu irmão, tenta buscar vagas para James em diversas equipes, até que Emerson deixa a McLaren e o britânico implora a vaga para Teddy Mayer até que consegue o contrato.

A temporada começa, com Lauda totalmente favorito e com mais provocações de Hunt que consegue um pódio em Kyalami e a vitória em Jarama. Vitória essa que foi retirada por irregularidades no carro. A partir daí, a rivalidade aumenta, o carro da McLaren fica péssimo após os ajustes para se enquadrar nas regras e o inglês fica irritadíssimo com o time pela performance. Para piorar, Suzy Miller está com outro affair: o ator Richard Burton, noticia que corre todos os jornais do mundo e leva Hunt aos destaques nos tabloides. Ele volta a vencer em Brands Hatch, provavelmente o momento de corrida mais realista do filme, mostrando todos os pontos de destaque da lendária pista britânica. E a disputa na pista e fora dela continua de forma mais acirrada quando a desclassificação em Jarama foi cancelada, fazendo com que a McLaren e seu piloto tenha seus pontos de volta e a chance do título.

Chegamos ao ponto crucial do filme: GP da Alemanha de 1976. Como todos sabem, chovia muito no Nordschleife, e Lauda convocou uma reunião para pedir o cancelamento da prova por falta de segurança. Hunt com muita influência, consegue convencer a todos que o austríaco queria se beneficiar no mundial e consegue a votação da maioria para a corrida acontecer. Aí se volta à cena inicial do filme: Jochen Mass decidindo ir de pneus slick e Hunt decidindo seus pneus de acordo com a escolha do seu rival. Ambos param depois da primeira volta mas Lauda volta muito atrás.

Aí temos a cena do acidente na Bergwerk. Impressionante, foda, foda, como ficou igual. Foda-se se a computação gráfica ajudou, ficou idêntica sob todos os aspectos. E depois também: o resgate, Lauda tirando o capacete e tendo seu rosto consumido pelas chamas. Marlene Lauda ouve a noticia do acidente pelo rádio do seu carro. Só que aí, temos outro erro do filme, que por sinal, foi feio viu. No rádio, diz que a corrida foi encerrada após o acidente, só que a mesma continuou após o resgate e inclusive teve a vitória de Hunt.

A partir daí, mostra-se o tempo de internação do austríaco no hospital. A simulação das queimaduras no rosto de Daniel Brühl ficou quase tão real quanto o rosto de Niki na época. Lauda acorda alguns dias depois e passa a ver corridas enquanto passava pelas sessões de desintoxicação pulmonar. Nessa parte, o conhecimento de Formula 1 aponta o erro mais grosseiro do filme. Na tentativa de mostrar o quanto Hunt se destacava, é mostrado o Grande Premio da Austria, no qual Hunt é dito no longa como vencedor. Só que na vida real, quem venceu essa corrida foi John Watson com o carro da Penske. Porra, isso é foda. Em um filme de F1, no qual os espectadores é gente que gosta e conhece o esporte, é um erro imperdoável.

Chegamos a Monza, 42 dias depois. Niki Lauda retorna e Hunt, se sentindo culpado vai até os boxes da Ferrari. Ambos conversam com um tom menos inimigo. Lauda é quarto colocado, é venerado pela torcida ferrarista, porém o filme deixa claramente transparecer que a cena não foi filmada em Monza e sim em Brands Hatch. Não precisava ser filmada em Monza, tudo bem, mas poderiam ter filmado em um autódromo que fosse ao menos plano. As subidas e descidas da pista britânica ficaram muito evidentes.

A decisão no Japão é o outro ponto crucial do longa. Os dois mostram a mesma animosidade de sempre nas coletivas e prometem a disputa pelo título acirrada. A cena da corrida foi muito bem feita, inclusive a confusão na cronometragem final, que ainda bem que existiu, serviu para dar uma pitada a mais na produção. O abandono de Lauda por sua conta foi muito bem retratado, o reencontro com Marlene e a conversa com os mecânicos, com o ele pedindo aos mecânicos que, simplesmente fale a verdade, que não houve problemas e que o abandono foi proposital, naquelas condições.

Por fim, temos o encontro de ambos em um aeroporto italiano, provavelmente ainda no fim de 1976. Lauda cuidando de um de seus aviões particulares e Hunt como sempre, curtindo com diversas garotas e muita bebida. O relato do austríaco descreve todo o fim do filme: para Hunt, apenas o título importava, nada mais. Dá um ar triste, quando é falado da morte do inglês em 1993, mostrando fotos reais de ambos.

É um excelente filme. Tirando o erro da corrida da Austria, o resto ficou muito bem feito, as informações foram bem pesquisadas, tudo bem filmado. No fim das contas, o filme não mostrou um mocinho, nem um vilão. E o melhor de tudo: ao contrário do filme do Senna, não é um filme tendencioso. O filme do brasileiro, sério, se você não assistiu, não perca seu tempo. Rush é um filme que demonstra acima de tudo o romantismo dos anos 70 no automobilismo, a autonomia que os corredores tinham na vida pessoal e a disputa levada até as últimas conseqüências. Coisas que não costumamos ver hoje e que realmente fazem falta.

Um abraço a todos.


O (patético) jeitinho brasileiro

19/08/2013

Hoje em dia, em diversas temáticas, se usa muito a expressão “jeitinho brasileiro”. Digamos que ela é de certa forma aplicada em situações no qual algo parece impossível, mas sempre se pode dar um jeito daquilo funcionar, de uma maneira alternativa. E como brasileiro é craque nisso, nada melhor como aplicar o adjetivo pátrio ao substantivo referido à ação.

Há um complexo sistema a ser estudado quando vamos definir, afinal de contas, o que é esse jeitinho. Não pelo fato dele poder ser aplicado em diversas situações para algo ficar melhor, mas pelo abuso das pessoas em dar um jeito em tudo. Abuso? Sim, abuso. Não se pode dar a mão para a pessoa que ela logo vai querer o seu pé e aí meu amigo, você percebe que caiu em uma bela enrascada, ficando aleijado.

Aonde eu quero chegar com tudo isso? Para responder estas questões, vou relatar algumas situações minhas que tenho passado, que me fizeram pensar seriamente em que rumo, as pessoas deste país andam tomando em suas próprias atitudes. Coisas simples, mas que constroem uma reação em cadeia que vai aumentando, aumentando, quando se vê, a merda está do tamanho daquela que você viu no Jurassic Park III. Uma delas que posso relatar e que presencio diariamente é no trânsito, que me tira a paciência todo santo dia, com engarrafamentos enormes. Aqui em Brasília, temos faixas exclusivas para a circulação de ônibus em diversas avenidas. Aí você tá lá com o seu carro, o ponteiro da temperatura só subindo e passa um engraçadinho num carro novo, importado pela faixa exclusiva, acima da velocidade da via, e lá na frente, este ainda vêm te xingar se você não deixar ele entrar na faixa normal quando aparece um carro do DETRAN.

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Vejam essa imagem. Peugeot 406, lindão né? Pois é. Não adianta ver que não viu a porra da placa, que essa não cola. Tirei essa foto entre o Venâncio 2000, shopping símbolo da breguice brasiliense e o Edifício Parque Cidade, um coliseu construído para abrigar diversos órgãos governamentais. Detalhe que não há só ele, mas diversos carros perto estacionados de forma proibida. Aí se formos alguns metros, vemos um estacionamento rotativo. O preço? R$0,10 por minuto. Isso mesmo, dez centavos. Chega a ser um absurdo, a pessoa tem vampur pra comprar carro mas acha caro pagar dez centavos por minuto em algo legal. A alguns metros dali, diversas viaturas do DETRAN na frente do shopping Pátio Brasil, provavelmente prontos para multar o cara que vai buscar a esposa no trabalho, acusando-o de transporte pirata. Enfim, se não tem ninguém pra punir, o jeitinho brasileiro continua funcionando.

Na mesma semana comecei a trabalhar numa empresa de vendas de linhas telefônicas móveis para empresas. Aí vemos outra triste realidade: a pressão no qual vendedor é sujeito. Vender a necessidade é o cacete. O negócio é vender cláusulas, oferecer facilidades desnecessárias. O mercado de vendas é rotativo pela sua própria essência: não há treinamento, os consultores não sabem o que estão comercializando, ouvem merda de cliente burro e tem de ficar calados porque não tem argumento, afinal estão ali unicamente para oferecer a feijoada sem saber ao menos o que tem dentro. Se der merda, da-se um jeito. No meu ver, esse negócio de “o cliente tem sempre razão” é o caramba. Isso só existe porque os vendedores não tem capacitação que a globalização demanda. Os chefes preferem passar uma tarde te dando comida de rabo na sala dele do que separar uma tarde para explicar aos seus funcionários não só a porra da técnica de venda, mas também aquilo que se vende.

Por fim, hoje fui a uma entrevista de emprego e chego lá, um monte de gente na fila. O salário é bem mais alto que a média. Depois de dois minutos, o povo começa a reclamar da fila, que é tudo muito bagunçado, que tinha que ter lugar pra sentar, um café… Sério, me segurei pra não falar besteira. A conclusão deste, vou incorporar no próximo parágrafo, no saldo de tudo.

Doi dizer isso, mas uma grande parte dos brasileiros é preguiçoso, acomodado, não gosta de trabalhar, quer saber de ter dinheiro sem fazer nada. Prova disso é a realidade dos concursos públicos: todo mundo quer ser concursado. Gente, estabilidade é bom demais, mas o que adianta se você não faz direito o dever do cargo. Como assim, Alex? Explico: vamos supor que saia um edital para Técnico em Construção de Acelerador de Partículas, nível médio, salário de R$ 20.000 por mês. Vamos ter duas classes de pessoas: o concurseiro que paga cursinho todo mês e um técnico que trabalha na área para uma empresa privada localizada em uma cidade pequena, mas que ganha apenas R$ 900,00 por mês e por isso não tem condições de fazer um cursinho. Quem vai se sair melhor na prova, com certeza é o primeiro, mas é na função? Quem garante que o técnico experiente não seria mais adequado para o trabalho? Não estou generalizando, mas muitos casos, infelizmente são assim, onde o foco não é servir à função com amor à ela e sim, com amor ao ócio, ao pouco trabalho, de segunda a sexta até as 18h, ganhando muito dinheiro. E voltando ao caso da entrevista, o exemplo se aplica: a pessoa não quer pegar fila, não quer se cansar, quer o emprego como se fosse uma amostra grátis de suco que a menina da calça legge colorida oferece no mercado. Alô, estamos em 2013, os preguiçosos não tem vez. Pelo menos fora do Brasil.

Aí eu pergunto: a pessoa quer pintar a cara pra protestar, subir no congresso, aparecer na capa do jornal “defendendo” a nação. Mas quando ta engarrafado, vai pelo acostamento, usa Windows pirata no micro, compra celular falseta, cola na prova da faculdade, esconde iPhone nas calças pra não pagar imposto no aeroporto, enfim, que moral temos pra protestar de algo? De palavras o pais tá de saco cheio, mas de atitudes, estamos devendo demais. Temos que parar de dar jeito na coisa errada já feita ao invés de planejar um futuro certo. Custa inverter a ordem das coisas por um mundo melhor. Jeitinho só afunda qualquer nação.

 


Android: tropeço no próprio exagero

05/08/2013

Fazia um certo tempo que eu não escrevia sobre tecnologia (pra falar a verdade, fazia tempo que não escrevia sobre nada, mas enfim…) e hoje vou levantar com vocês, meus fiéis leitores uma questão bem interessante. A cada dia, a briga entre sistemas operacionais móveis está mais acirrada. Há uma imensa tentativa de integração entre aquilo que você executa no computador para que você possa fazer no smartphone ou tablet da mesma forma. Nisso surgiu a Apple que lançou o Launchpad no Mac OS X Lion e o Windows 8 que foi todo lançado em cima do Windows Phone. Se agrada ou não, é muito variável, mas que a mudança de cara é percebida, isso sim e pode ser que uma hora, o usuário vá precisar dessas funcionalidades.

Aí as coisas vão evoluindo cada vez mais: o iOS já chega a sua versão 6.1.3 e em breve, a versão 7, o Android está na versão 4.3 e o 5 não tarda a chegar. O Windows Phone está no 8, recém lançado e o BlackBerry OS, na versão 10. Não falarei aqui do Symbian pelo fato de ser um sistema praticamente morto e nem do Ubuntu Mobile ou Firefox por serem sistemas recentes demais para que possamos estabelecer parâmetros. A cada nova compilação, temos novidades para melhorar os nossos aparelhos, coisas que eram impensáveis há alguns anos atrás: você já comprava o celular, vinha com aquilo e acabou. Hoje é diferente: seu brinquedo não tem certa função agora, mas pode ter depois com uma atualização de sistema. O iPhone é o campeão nisso. Vou pegar um exemplo: o modelo 3GS, quando foi lançado em 2009, vinha sem a função Multitasking, sem papel de parede no menu entre outras coisitas, mas em 2012, quando foi descontinuado, era um aparelho rodando a última versão do sistema, com diversos recursos que foram sendo implantados ao longo dos updates. O Android também tem seus méritos nesse ponto: a partir da versão Gingerbread (2.3.x) o aparelhos passaram a oferecer suporte a telas maiores, câmera frontal, tethering ( a função roteador) entre outras. E por aí foi.

Tudo parece uma maravilha né? Ainda mais se pegarmos o Android que é um sistema aberto que permite centenas, milhares de modificações sem precisar de softwares para restringir algo. É, era pra ser assim, mas infelizmente não é. Vejamos porquê.

Assim como o Windows Phone, quando você quer um aparelho do robôzinho, você tem a flexibilidade de escolher o aparelho de diversas marcas, tamanho, cores, modelos, preço, tipo sanguíneo, etc. O que era para ser uma facilidade, acaba virando uma dor de cabeça. A começar pelas interfaces alegorizadas dos fabricantes, que dão nos nervos. Cada marca tem um menu de um jeito, tem uma tela inicial de um jeito. As vezes aparelhos com a mesma configuração tem funções que em outro só é possível fazendo gambiarra. Uma bagunça absurda.

Outro problema do Android é a relação zoada entre software e hardware. Vamos a um exemplo e para isso vamos usar dois aparelhos: Motorola Atrix 4G MB860 (CPU Dual Core 1GHz, 1GB RAM, 16GB Interno + MicroSDHC até 32GB, Android 2.3.6) e Samsung Galaxy Y Duos TV GT-S6313 (CPU 1GHz Single Core, 768MB RAM, 4GB Interno + MicroSDHC até 32GB, Android 4.1.2). Perceba que são dois aparelhos com configurações diferentes, sendo que o primeiro é infinitamente superior. Porém vejam que o segundo apesar de ter uma configuração mais fraca, roda a versão mais recente do Android. Claro, tem pessoas que vão questionar que um foi lançado em 2011 e o outro em 2013. Não, a emenda não cola. Quem gastou mais de 2 mil reais para comprar um Atrix ficou com uma verdadeira bomba nas mãos, que sequer teve atualizações, mesmo com um hardware compatível. Há dezenas de casos iguais a estes.

E chegamos a parte mais feia da coisa: as atualizações. Aí quem é fuceiro de Android passa muita raiva. Atualmente, o sistema está na versão 4.3, mas já tivemos 4.2.2, 4.2.1, 4.2, 4.1.2, 4.1.1, 4.1, 4.0.4, 4.0.3, 4.0.2, 4.0.1, 4.0 (lá na frente explico por que não colocarei aqui o Android 3.x.x). Sim e não foi redundância, coloquei todas pra mostrar quantas compilações o Google já liberou. Mas grande parte dos aparelhos sequer teve a chance de experimentar tantas atualizações. E nem terá. Claro, alguns há a restrição do hardware que não é compatível. Mas tem muitos que o vilão é o fabricante. Assim, o Google libera o Android puro e os fabricantes colocam um monte de firulas para deixar a cara da marca. Mas quais aparelhos receberão o update e quando, ah só Deus sabe. É realmente desagradável você comprar um gadget sem saber que não vai poder atualiza-lo, o que gera a impressão de que você está comprando algo ultrapassado. A informação mentirosa também impera nesse mundo. Voltamos ao caso do Atrix, que a Motorola anunciou update para o Ice Cream Sandwich (v.4.0.4) e depois voltou atrás, assim como a Sony fez a mesma coisa com o XPeria U, tornando estes aparelhos verdadeiros micos. Não dá pra confiar na informação nem dos fabricantes.

Alias, o Android não é um sistema confiável. O simples fato de ser um sistema aberto, de código relativamente fácil e de gerenciamento simples de pastas e arquivos tornou-o um ninho para virus e diversas ameaças. Aí você instala um antivirus, o sistema fica um peso de lento. É como lavar o seu carro para evitar sujeira e no final, seca-lo com um pano cheio de lama. Muita gente questiona sobre isso, pois o iPhone exige a bagaça do iTunes pra tudo e os WP, o Zune. Só que, apesar da dificuldade descrita nestes casos, você sabe exatamente o que instala (não vou citar o Jailbreak, por que é uma prática que eu sou contra). Baixar um .apk de um programa pago para Android no 4Shared é facílimo. Você está certo disso? Posso perguntar?

Há uma maneira de estar livres de tantos problemas e ficar com o Android? Claro! Basta você comprar um celular ou tablet com Android puro, sem modificações do fabricante. Temos vários exemplos como o Galaxy X, da Samsung, Nexus 4 da LG e no caso dos tablets, o Nexus 7 e Nexus 10. Percebam, quase todos eles custam acima de 1.000 reais. Tá, aí cadê o princípio de sistema aberto e para todos. Não existe! Tantos problemas poderiam ser evitados se o Android fosse igual em todos os aparelhos. Deixem que os usuários o customizem da maneira que bem entenderem. A Motorola está lançando o Moto X agora nos EUA com essa filosofia. Pena que muito tarde.

Por fim, este é um relato que é baseado em muitas opiniões que ando vendo nos fóruns de tecnologia. Nada contra o usuário do Android, do WP, do iOS, do BBOS e por aí vai. Todo software tem qualidades e defeitos e pode sim, ser sempre melhorado. Pena que uma empresa do tamanho do Google demorou demais, e até hoje demora para perceber que rumo o Android tomou. Ele quis ser livre, mas escorregou no próprio exagero.

 


Child of Vision – Thomas Henrique (1988-2013)

21/04/2013

Interrompo a série de reportagens do Senna para escrever sobre algo diferente hoje. O post de hoje não é uma crítica, um relato de acontecimento, nada disso que o Blog do Alex Neres está acostumado a tornar público. Hoje deixo o lado jornalista crítico para me tornar o Alex da Silva Neres do lado pessoal, que vive uma vida como qualquer outra pessoa, tem familia, amigos. E que cada dia aprende coisas novas, de formas felizes ou tristes. Hoje, 20/04 foi um dia atípico: assisti a F1 de manhã, dormi no sofá e já me preparava para ir trabalhar, quando ao ligar o computador, vi um pequeno laço preto em um avatar no Facebook. Isso não significa uma boa noticia, infelizmente.

Na hora que vi o tal laço, suspeitei o que poderia ter acontecido, mas torci para não ser verdade. Mas era: na manhã deste dia, o mundo perdeu Thomas Henrique Velloso Melo, aos 24 anos, em consequência da cardiopatia congênita que lhe conferiu três procedimentos cirúrgicos durante sua breve, mas sempre radiante vida. Thomas era um dos maiores conhecedores das séries CH do Brasil, se não do mundo. Foi o idealizador da lista de epísódios mais completa existente, participante ativo de diversos fóruns do gênero e teve a oportunidade de conhecer o ator Carlos Villagrán (intérprete do Kiko) durante o evento Festival da Boa Vizinhança, realizado em São Paulo em 2010, sendo este, o tema da primeira postagem do meu Blog. Além disso, era um grande ouvinte da boa música, fã de Queen, Guilherme Arantes, Supertramp. E é com o nome de uma das canções desta última banda que ele tanto gostava, que eu irei relembrar alguns momentos desta amizade que se estendeu por mais de quatro anos, apesar de separados por mais de 950 quilômetros de distância.

O ano é 2008. Em uma simples conversa em grupo do MSN, meu amigo de longa data, Bruno Sampaio me chama. Nela, várias pessoas que eu não conhecia. Entre elas, um interesse em comum: o gosto por Chaves. E entre essas pessoas, havia uma, com o nick na cor roxa: um certo Thomas Henrique. Logo, foi surgindo uma amizade, que se estendeu por semanas, meses. Nossa idade era diferente por questão de meses, então muitas coisas tínhamos em comum. Lembro-me de uma certa vez, que vimos um post de duplas sertanejas com nomes bizarros e entre elas, tinha uma chamada Priminho e Maninho. Associaram que parecia a gente, aí eu passei a chama-lo de priminho e ele de maninho. Ficou uma coisa divertida, apesar de bem boba, a alguns olhos. Outro fato que foi curioso foi em 2009 se não me engano, quando resolvemos fazer um karaokê da música Who Wants to Live Forever, da banda Queen. Ele cantaria a parte do Brian May e eu a do Freddie Mercury. Ele gravou a parte dele e me mandou, porém, por falta de tempo, não pude fazer o mesmo com minha parte (se um dia eu achar a gravação nos meus arquivos, com certeza, irei terminar essa música).

Até o começo deste ano, eu era uma pessoa muito instável emocionalmente. E sempre em situações difíceis, principalmente brigas com a minha família, ele estava lá para me consolar. Muitos foram os conselhos, os ombros-amigos. Uma coisa que pude perceber, não só nele, mas em toda a sua familia era a imensa fé e perseverança. Um cara que apesar alguns problemas, jamais jogou os mesmos para o alto.

Diferenças, surgiram ao longo deste tempo. Tivemos um tempo que ficamos sem nos falar, depois voltamos, depois ficamos em hiato de novo. Neste meio tempo, o Alex mudou, todo mundo sabe o quanto me tornei realmente adulto. E voltei a pensar que o perdão era a melhor coisa a se fazer. Infelizmente não tive esse tempo. Mas essa parte, eu prefiro pular.

Apesar de um passado cheio de altos e baixos, de uma enorme distancia, a sensação é estranha. Mas não é essa a sensação que quero deixar neste breve texto. Quero deixar a sensação de que o “Priminho” está em paz, ao lado de Deus, mas também presente ao lado de todos nós, como sempre esteve em todos estes anos. The Show Must Go On, como diria o grande ídolo em comum que tivemos, assim como tantas coisas que nos identifica!

 

Sem mais. Desde cedo, fiquei relembrando em logs, todos os bons momentos. Tem muito mais, que assim como estes, ficarão para sempre aqui guardados.

Qualquer dia amigo eu volto, a te encontrar! (:


A internet e como ela ficou cansativa

22/12/2012

Chegamos a o fim de mais um ano. 2012 foi um ano que de certa foi marcante: tivemos o Corinthians ganhando seu primeiro título mundial (não, aquele de 2000 pelo amor de Deus né…), Vettel ganhando seu terceiro título seguido na F1, Will Power mais uma vez vencido pela pressão e perdendo um título ganho na Indy. Na politica, Serra mais uma vez perdeu, tivemos Sarney presidente por quatro dias, um governo de Brasilia cada vez mais omisso e com pouca aprovação e a República da Coreia ganhando uma presidenta nas eleições. Na economia, a Europa na crise louca, a Grécia quebrada, o Brasil reduzindo IPI e sem investir no tráfego, deixando o trânsito isso que vocês convivem toda manhã nas grandes highways. Isso sem contar o hashtag eterno da vida social das pessoas esse ano: o fim do mundo marcado pra ontem, que não passou de mais uma especulação baseada em coisas escritas em pedras. Não confio nem em biscoito da sorte, quanto mais nisso.

Mas a chatisse de hoje não é sobre nada disso. Como todos sabem, desde 2004 com o surgimento do Orkut, a questão de redes sociais passou a ficar cada vez mais presente na vida dos cosmopolitas e cidadãos comuns. A febre entre 2005 e 2009 era ter um perfil bem visitado, uma comunidade com uma legião de gente, isso era o Orkut. Sem contar os comunicadores instantâneos. Primeiro foi o ICQ, depois quando a coisa se popularizou, veio o MSN Messenger que depois virou Windows Live Messenger, mas que todo, convenhamos, só chama MSN. Aí resolve aparecer o Facebook, que no começo ninguém deu muita bola, mas que depois virou a febre, ao mesmo tempo que os celulares ficaram mais modernos, aplicativos das redes foram surgindo. E depois veio o Tim Infinity, internet a 50 centavos para todo mundo. Pronto, agora a porra ficou séria, todo mundo, mesmo com celular de 50 reais, podia acessar.

Realmente, o Facebook matou muita coisa: convenhamos, tudo que uma pessoa posta no Twitter, ela pode postar no Facebook. Tudo que é foto que ela pode postar no Orkut, ela posta mais rápido no Facebook. Se a pessoa tem que fazer um cadastro no LinkedIn, no Foursquare, se aparecer a opção “Connect with Facebook”, você acha mesmo que ela vai fazer todo o processo manualmente? Enfim, Mark Zuckemberg fez a coisa ficar de um jeito que tudo hoje pode ser feito pelo Facebook. Isso fez com que a rede passasse a ser a mais usada no Brasil e em todo o globo, assim como fez com que pessoas famosas tivessem seus perfis e páginas para facilitar o contato com o usuário (assim como abriu espaço para muito famoso falar besteira).

E por que bolas eu estaria reclamando se tudo tá mais fácil? Esse é justamente o problema: estar tudo fácil demais. Antigamente, se você fosse fazer uma festa de aniversário, você tinha o apreço de procurar a pessoa, ligar, enfim, ter o prazer de convidar aquela pessoa. Hoje você cria um evento no Facebook, convida um mundo de gente que você nem conhece e pronto. Se você está em crise afetiva, ao invés de discussões normais, começa a discussão no Facebook, isso sem contar casais que compartilham senhas e que no final das contas, qualquer palavrinha vira algo jogado no ventilador. (Não que eu ache isso uma prática errada, pode ser feita, desde que haja confiança e diálogo; na mente de gente complexada, é encrenca na certa).

Mas esse tipo de coisa não atinge só o Facebook, e sim a internet no geral. Um exemplo clássico é nas festas de fim de ano com “amigo-secreto”. São poucas as pessoas que pedem CD, DVD, Blu-Ray de determinado ídolo: “Ah, CD e DVD eu baixo da internet, tenho 15Mb em casa.” Outro exemplo são livros. Antes de mais nada, só vou avisar que nunca fui contra livro digital, inclusive acho uma boa, quando mesmo é comprado tendo os direitos do autor preservados como autor. Só que nem sempre é dessa maneira que acontece. A pessoa compra seu smartphone, e-reader, tablet, óculos de Raio X do Drew e por aí vai, baixa o livro pirateado em PDF na internet, coloca o raio do cabo USB e pronto. Simples, prático e fácil, agora a pessoa pode ler o livro estando em casa, na escola, nas minas do Chile, em Chernobyl. Só que quem é experiente na área sabe que, a tela do iPad, assim como de qualquer outro tablet cansa demais a visão devido a retroiluminação; no celular, a letra é pequena e ficar dando Pinch-to-zoom toda hora é chato. Enfim, de (quase) todas as formas, isso se torna um “desincentivo” à saudavel prática da música e da leitura.

Agora a parte que provavelmente serei bombardeado ao falar: a diminuição na produtividade. Todo mundo gosta de acessar o Facebook em casa. No trabalho, a coisa não poderia ser diferente. Quando não há muito o que fazer ou quando alguém de hierarquia maior (ou até mesmo a lingua maior), a pessoa dá aquele típico “CTRL+T” e acessa as redes, deixando aquilo que poderia ser feito mais rápido e de maior importância para depois. Claro que há corporações que proibem isso, mas sempre tem um que traz o UltraSurf instalado na máquina e fica por isso mesmo, sem contar a navegação anônima que alguns web browsers passaram a adotar. Enfim, garanto que todos passaram por uma experiência de fazer algo errado por que na hora estavam em alguma rede social.

Tá, o parágrafo acima ele é muito controverso, mas em nenhum momento quero jogar na parede quem faz isso e sim, alertar que internet demais está deixando as coisas, sim, fora de controle. Tudo é feito de maneira rápida, instantânea, não se pesquisa mais em livros, e sim na Wikipedia, cuja a credibilidade é duvidosa. As bibliotecas estão ficando as moscas em alguns lugares e isso é sim ruim. Mesmo que o mundo exija que a informação seja cada vez mais evidente em nossas vidas, o excesso dela pode sim te levar a um mundo que, se um dia entrar em colapso, te deixará sem saber como lidar com as técnicas tradicionais de aprendizado e vivência.

E por fim, lembrem-se: tudo faz bem, desde que seja sem excesso: da internet ao absinto.

 

Um feliz natal a todos e um feliz 2013.

 

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